Educação Infantil

Com a mesma inquietação pedagógica que deu origem à fundação do Colégio, a Educação Infantil reinventou suas práticas para a primeira infância. Desde 2002 trabalha com a chamada abordagem multi-idade - um conjunto singular e inovador de escolhas curriculares baseadas na convivência interativa entre crianças de idades mistas, privilegiando a interação entre níveis de desenvolvimentos diferentes como fator de promoção da aprendizagem e da capacidade de relacionar-se. Nesta concepção é possível aprender na e a partir da diversidade, através da experiência cooperativa que instiga relações de espelhamento, co-ajuda e empatia entre crianças mais velhas e mais novas.

Esse contexto de convívios múltiplos em espaços e tempos cuidadosamente desenhados e planejados incentiva o desenvolvimento social e intelectual das crianças como um todo integrado, enfatizando suas capacidades de interação e comunicação. Nessa perspectiva, os pequenos são encorajados a explorar o ambiente e a expressar a si mesmos através de uma diversidade de linguagens lúdicas, corporais, simbólicas, investigativas, lógicas, cognitivas e relacionais.

Em nossa proposta, pais, professores e crianças estabelecem vínculos de longa duração, já que a abordagem garante que as educadoras acompanhem as crianças durante dois anos consecutivos. As relações que se estabelecem enfatizam valores como escuta, diálogo, confiança e cumplicidade entre adultos e crianças, como base de uma pedagogia dos relacionamentos, compreendendo a Escola Infantil como um locus de cidadania em que muitas vozes podem se fazer ouvir e, juntas, constroem projetos de importância sócio cultural.

A organização curricular por Campos de Experiências, referendada pela Base Nacional Comum Curricular, constitui um arranjo que acolhe a relação entre as crianças e o mundo da natureza e da cultura, as experiências da vida das crianças, suas linguagens e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio sócio cultural. Neste contexto, a dúvida e a fascinação são bem-vindas, juntamente com a investigação e a criação, base sobre a qual se organizam os projetos de trabalho e pesquisa desenvolvidos com as crianças, desde bem pequeninas.

A alimentação também integra o processo educativo, por isso, a merenda escolar coletiva e a hora da fruta são importantes momentos que favorecem rituais de convivência e aprendizagem de hábitos alimentares saudáveis.

Ao defender a infância como tempo de direito e a escola infantil como um lugar de cultura e aprendizagem – onde o prazer de brincar e aprender são experiências indissociáveis-, o João XXIII foi reconhecido nacionalmente, recebendo o prêmio “Aqui se brinca, aqui se aprende pela experiência”, certificado pelo programa “Pelo direito de ser criança”, criado pelo OMO e pelo Instituto Sidarta. O processo seletivo contou com a participação de 2448 escolas de 895 cidades brasileiras. A Escola recebeu também o selo “Melhores Práticas do Brincar e Aprender”.

Atualmente, a parceria de estudos e a contribuição de Aldo Fortunati – pesquisador, Presidente do Centro de Pesquisa e documentação sobre a Infância La Bottega di Geppetto, em São Miniato (Toscana/Itália), Diretor da Área Educativa do Instituto Degli Inoccenti di Firenzi e Professor Titular da Universidade de Firenzi, que esteve em Porto Alegre acompanhando nosso trabalho, legitima nossa prática alicerçada na “ideia de uma base ecológica de currículo que, a partir da organização do contexto, ofereça às crianças um quadro rico e aberto em experiências e oportunidades que legitimem e promovam seu protagonismo”. (Aldo Fortunati, 2016)